O Google não conta mais apenas o seu site, conta também a sua publicação: as novas propriedades de plataforma do Search Console
O Search Console agora reporta seus conteúdos de Instagram, TikTok, X e YouTube. Como configurar as propriedades de plataforma, ler os três relatórios e evitar as armadilhas.

Com uma atualização anunciada em 7 de julho, o Google Search Console permite ligar as suas contas de Instagram, TikTok, X e YouTube como propriedades próprias. À medida que as publicações da conta ligada aparecem na Pesquiso Google e no Discover, pode ver dentro da Search Console com que pesquisas são encontradas, quantas vezes são mostradas e quantos cliques recebem.
A funcionalidade está a ser lançada gradualmente; pode ainda não aparecer na sua conta. Quando aparecer, a configuração demora poucos minutos. Neste artigo explicamos o que chegou e como configurar. Mas o ponto maior é o que esta atualização diz em voz alta: para o Google, a unidade da descoberta não mais é o site, é a publicação.
O que chegou: os factos
O novo tipo de propriedade chama-se propriedades de plataforma. Plataformas suportadas no lançamento: Instagram, TikTok, X e YouTube. Facebook e LinkedIn estão ausentes. Não precisa de ter um site; basta verificar a conta social. Cada conta ligada recebe três relatórios:
- Desempenho: cliques, impressões e posições das suas publicações na Pesquiso Google e no Discover, por publicação e por pesquisa.
- Estatísticas: tendências recentes, as publicações com melhor desempenho e como a conta é descoberta através do Google.
- Conquistas: marcos como limiares de cliques em períodos de 28 dias.
Configuração: abra a Search Console, escolha Adicionar propriedade, selecione a plataforma e conclua a verificação de propriedade. É tudo.
A verdadeira notícia não é a funcionalidade, é a admissão
Um relatório novo numa ferramenta de medição costuma ser notícia pequena. O que se destaca aqui é isto: o Google começou a reportar o desempenho de plataformas que não lhe pertencem.
Leia como anúncio de produto e verá uma atualização de relatórios. Leia como declaração de posição e verá uma admissão: o Google trata a publicação, e não o site, como unidade da descoberta, onde quer que a publicação viva. As pessoas conhecem uma marca pela primeira vez não numa página de resultados, mas num cartão de vídeo, num feed do Discover, numa prévia de perfil, e o Google constrói ferramentas para essa realidade.
Muitas empresas demoraram a aceitar essa mudança. O Google, ao que parece, não.
Um aviso honesto: a medição não se consolida, multiplica-se
Digamos também com clareza o que esta atualização não faz: não reúne a sua medição num só lugar, acrescenta uma camada. Cada plataforma já tem a sua própria analítica, cada uma com definições e números diferentes. Agora há mais uma vista, que mostra apenas a fatia que o Google consegue ver, medida com a régua do Google. O que o Instagram chama alcance e a Search Console chama impressão não são a mesma coisa; somá-los dá um número errado.
Dois painéis em desacordo são uma conversa. Cinco painéis em desacordo são uma reunião a que ninguém quer ir. Saber que pergunta procura responder antes de abrir o novo relatório importa mais do que nunca.
Uma nota para equipes B2B: o LinkedIn não está na lista. Tendo em conta onde acontece grande parte da descoberta B2B, essa ausência é silenciosa mas significativa.
O valor real: as pesquisas, não o tráfego
A coluna menos interessante destes relatórios é a dos cliques. A mais interessante: as pesquisas que fazem aparecer as suas publicações. Ver com que palavras as pessoas chegam ao seu vídeo é ver o que o seu público pergunta, nas suas próprias palavras e com intenção. É investigação de audiência gratuita, vinda de uma direção inesperada.
O uso prático: se um vídeo recebe tráfego como resposta a uma pergunta e o seu site responde mal à mesma pergunta, tem uma lacuna de conteúdo com prova anexada. Escreva a página para essa pesquisa, ligue o vídeo, feche a lacuna. Nada disto é sobre contagens de cliques; é sobre o valor do que se aprende.
O que fazer
- Verifique a sua Search Console; se as propriedades de plataforma já chegaram, ligue o Instagram e o YouTube. Custa minutos.
- Na primeira semana olhe para as pesquisas, não para os cliques; anote as palavras do seu público.
- Liste as perguntas que os seus conteúdos sociais respondem e o seu site não; os seus próximos conteúdos provavelmente estão nessa lista.
- Coloque o relatório ao lado dos painéis existentes, não no lugar deles, e decida de antemão que decisão pertence a que painel.
Um instrumento melhor para medir algo em declínio continua a ser um instrumento melhor. Adote-o, use-o. Só não confunda mais relatórios com mais clareza: os painéis multiplicam-se mais depressa do que as respostas.
Dar sentido à medição em vez de a multiplicar é o cerne do nosso trabalho. Se quiser ver numa única imagem o que cada canal traz realmente, conheça a nossa abordagem de medição orientada por dados.




